Calculadora de Rendimento da Poupança
Veja quanto sua poupança rende no período. A poupança rende cerca de 0,5% ao mês quando a Selic está acima de 8,5% ao ano.
Ferramenta gratuita e informativa. Os resultados são estimativas e não substituem orientação profissional.
A poupança ainda existe — e ainda engana milhões de brasileiros
A caderneta de poupança é o investimento mais popular do Brasil. Segundo dados do Banco Central, dezenas de milhões de contas poupança estão ativas, com saldo total na casa dos trilhões de reais. Esse volume não é sinal de sabedoria financeira coletiva: é, em grande parte, herança cultural de décadas em que a poupança era o único produto financeiro acessível a quem não tinha gerente de banco privado. Hoje o cenário mudou radicalmente — mas a inércia permanece.
Entender exatamente como a poupança rende, quando ela perde para a inflação e para quem ela ainda faz sentido é exercício essencial de educação financeira. Não para demonizar o produto, mas para decidir com consciência — e não por costume.
Como funciona o cálculo do rendimento da poupança
A regra de remuneração da poupança foi alterada em 2012 e hoje funciona com uma lógica dupla, definida em relação à meta da taxa Selic:
• Se a Selic está acima de 8,5% ao ano: poupança rende 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial).
• Se a Selic está igual ou abaixo de 8,5% ao ano: poupança rende 70% da Selic + TR.
Com a Selic em torno de 10,5% ao ano (referência 2025/2026), a poupança está na regra dos 0,5% ao mês + TR. A TR é calculada pelo Banco Central e costuma ser muito próxima de zero, às vezes literalmente zero. Portanto, na prática, a poupança rende aproximadamente 6,17% ao ano bruto — bastante abaixo da Selic e, em muitos períodos, abaixo da inflação oficial medida pelo IPCA.
A fórmula mensal é simples: Saldo × (1 + 0,005) × (1 + TR_mensal) − Saldo. O resultado é creditado uma vez por mês, na data de aniversário da aplicação — e aqui mora uma das principais armadilhas do produto.
A armadilha do aniversário: o detalhe que ninguém te conta
A poupança não rende diariamente. Ela rende em "datas de aniversário": o dia do mês em que o depósito foi feito. Se você depositou no dia 10 de março, o rendimento é creditado todo dia 10. Se você sacar no dia 9 de abril — um dia antes do aniversário —, perde os juros daquele mês inteiro. O dinheiro fica parado sem rendimento.
Isso cria uma situação perversa: quem deposita aos poucos, em datas diferentes, tem múltiplos aniversários e maior risco de sacar fora da janela ideal. E quem usa a poupança como conta corrente de reserva — sacando e depositando frequentemente — pode estar perdendo boa parte do rendimento teórico simplesmente por má gestão de datas.
Compare com um fundo DI de liquidez diária ou com o Tesouro Selic: ambos rendem pro-rata todos os dias úteis, sem essa penalidade de aniversário.
Exemplo prático resolvido
Suponha um saldo de R$ 5.000 na poupança com Selic a 10,5% ao ano (regra dos 0,5% ao mês, TR ≈ 0%). Valores ilustrativos:
Rendimento mensal: R$ 5.000 × 0,5% = R$ 25,00 por mês.
Em 12 meses: R$ 5.000 × [(1,005)^12 − 1] ≈ R$ 5.000 × 6,168% ≈ R$ 308,40.
Agora compare com um CDB a 100% do CDI (≈ 10,40% a.a.), com IR de 17,5% (prazo de 12 meses):
Rendimento bruto: R$ 5.000 × 10,40% ≈ R$ 520,00. IR (17,5%): R$ 91,00. Líquido: R$ 429,00.
Diferença em um ano: R$ 429 (CDB) versus R$ 308 (poupança) — uma diferença de aproximadamente R$ 121, ou quase 40% a mais de rendimento líquido no CDB. E a poupança é isenta de IR apenas porque rende pouco demais para justificar a tributação — não porque seja privilegiada de verdade.
A isenção de IR: vantagem real ou ilusória?
A poupança é isenta de Imposto de Renda e IOF para pessoas físicas. Isso parece uma grande vantagem — mas é preciso calcular se essa isenção supera a diferença de rendimento. No exemplo acima, mesmo pagando 17,5% de IR, o CDB ainda rendeu 40% a mais que a poupança. A isenção da poupança só seria vantagem real se a taxa bruta de outros investimentos fosse muito baixa e o prazo muito curto — situação cada vez menos comum no mercado atual.
Para rendas mais baixas que não atingem o teto de isenção do IRPF (atualmente R$ 2.824 mensais, confira a tabela vigente), toda renda de capital já pode ser não tributada por outros meios, tornando a "vantagem" da poupança ainda menos relevante.
Quando a poupança ainda faz sentido?
Seria desonesto dizer que a poupança nunca faz sentido. Há perfis para os quais ela ainda é adequada:
Crianças e menores: pais que querem guardar dinheiro para filhos pequenos, sem se preocupar com vencimentos ou percentuais, acham a poupança simples e sem burocracia. O rendimento subótimo pode ser tolerável para valores pequenos.
Pessoas sem acesso digital: quem opera exclusivamente em agência física e não tem familiaridade com aplicativos de investimento ainda encontra na poupança um canal acessível. Mas vale o esforço de aprender a usar um CDB ou Tesouro Selic pelo aplicativo do próprio banco.
Poupança vinculada ao financiamento imobiliário: a Caixa Econômica Federal e outros bancos às vezes exigem saldo em poupança como critério para acesso a crédito habitacional com juros subsidiados. Nesses casos, manter o mínimo exigido faz sentido estratégico.
Como usar a calculadora acima
- Informe o valor inicial depositado.
- Indique se haverá aportes mensais e o valor de cada um.
- Defina o prazo em meses.
- A calculadora usará a regra atual da poupança (0,5% ao mês + TR ≈ 0%) para projetar o saldo.
- Compare o resultado com outras modalidades de renda fixa disponíveis na plataforma.
Dicas e armadilhas
1. Nunca saque antes do aniversário: se você precisa sacar, calcule a data de aniversário e, se possível, espere mais um ou dois dias para não perder o rendimento do mês inteiro.
2. Depósitos feitos nos dias 29, 30 e 31: nesses casos, o aniversário é considerado como dia 1 do mês seguinte. Muita gente perde essa referência.
3. A inflação é o inimigo silencioso: com IPCA em torno de 5% ao ano e poupança rendendo ~6,17% ao ano, o ganho real é de apenas ~1% ao ano. Qualquer ano de inflação elevada pode colocar o rendimento real negativo.
4. Não use poupança para objetivos de longo prazo: aposentadoria, educação dos filhos, imóvel — para prazos acima de 2 anos, a diferença de rendimento se compõe de forma expressiva e impacta severamente o resultado final.
5. Compare com fundos DI de taxa zero: hoje existem fundos de renda fixa sem taxa de administração que rendem próximos a 100% do CDI com liquidez diária. São superiores à poupança em quase todos os aspectos.
Perguntas frequentes
A poupança tem garantia do FGC?
Sim. A poupança em bancos e cooperativas de crédito é coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF por instituição, com teto global de R$ 1 milhão por CPF a cada quatro anos. Na prática, é tão segura quanto um CDB da mesma instituição.
O que é a TR e por que ela é quase zero?
A Taxa Referencial foi criada nos anos 1990 como indexador de contratos. Com a estabilidade econômica e a queda da inflação, a fórmula de cálculo da TR passou a gerar valores muito próximos de zero com frequência. Ela ainda existe e é usada em contratos de financiamento imobiliário e no FGTS, mas seu efeito no rendimento da poupança é marginal.
Poupança entra na declaração do Imposto de Renda?
Os rendimentos da poupança são isentos e não entram na base de cálculo do IR. Mas o saldo em conta poupança acima de R$ 140 (confira o limite vigente) deve ser declarado como bem e direito. Os rendimentos isentos também devem ser informados na ficha de rendimentos isentos e não tributáveis.
Faz sentido migrar tudo da poupança para CDB agora?
Depende do seu perfil e das condições do mercado. Para dinheiro que você pode travar por 12 meses ou mais, o CDB de banco digital geralmente supera a poupança com folga. Para reserva de emergência que pode ser necessária a qualquer momento, um CDB com liquidez diária a ≥ 100% do CDI ou um fundo DI são melhores alternativas. O passo mais inteligente é fazer a migração gradual, comparando sempre o rendimento líquido.
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