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Calculadora Tesouro Selic

📅 julho 02, 2026·Dinheiro no Dia a Dia
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Simule o rendimento do Tesouro Selic, o investimento mais seguro do país e ideal para a reserva de emergência.

Ferramenta gratuita e informativa. Os resultados são estimativas e não substituem orientação profissional.


Tesouro Selic: o título público que funciona como conta remunerada do governo federal

O Tesouro Selic é, ao mesmo tempo, o investimento mais simples e o mais mal entendido da renda fixa brasileira. Simples porque sua lógica é direta: você empresta dinheiro ao governo federal e recebe de volta com juros atrelados à taxa básica da economia. Mal entendido porque muita gente ainda o confunde com a poupança, desconhece o impacto do Imposto de Renda ou ignora a taxa de custódia que corrói parte do retorno. Este artigo vai além do básico: explica o que é o título, por que seu preço praticamente não oscila, quais são todos os custos envolvidos e quando faz sentido — ou não — escolhê-lo em relação a outras alternativas de renda fixa.

O que é o Tesouro Selic e como ele funciona

O Tesouro Selic é a denominação popular de um título público federal chamado formalmente de LFT — Letra Financeira do Tesouro. É emitido pelo Tesouro Nacional (órgão do governo federal) e negociado pelo programa Tesouro Direto, que desde 2002 permite que pessoas físicas comprem títulos públicos pela internet com valores a partir de aproximadamente R$ 100 (o equivalente a um centésimo do valor nominal de R$ 10.000).

A rentabilidade do Tesouro Selic é pós-fixada: rende a variação acumulada da taxa Selic ao longo do período de aplicação, acrescida de um pequeno spread que pode ser positivo ou negativo dependendo do momento de compra. Em 2025/2026, com a Selic em torno de 10,5% ao ano (valor de referência — consulte sempre a taxa vigente no site do Banco Central), o Tesouro Selic entrega retorno nominal próximo a esse patamar.

Por que o preço do Tesouro Selic quase não oscila

Um conceito que confunde muitos investidores iniciantes é a chamada marcação a mercado — a atualização diária do preço dos títulos conforme as condições atuais de mercado. No caso dos títulos prefixados (como o Tesouro Prefixado) ou indexados ao IPCA (como o Tesouro IPCA+), quando a taxa de juros de mercado sobe, o preço do título cai — porque um título que paga uma taxa fixada no passado vale menos do que um novo título com taxa maior. Isso pode gerar perdas para quem vende antes do vencimento.

O Tesouro Selic funciona de forma fundamentalmente diferente. Como sua rentabilidade não é fixada no momento da compra — ela flutua diariamente junto com a Selic —, quando os juros sobem o título imediatamente passa a render mais. Não há defasagem entre o rendimento prometido e o rendimento de mercado. Por isso, o preço do Tesouro Selic se mantém praticamente estável: oscilações existem, mas são mínimas e geralmente não representam perda real para quem resgata antes do vencimento. Essa característica o torna adequado para reserva de emergência e para recursos que podem precisar ser resgatados a qualquer momento.

Os custos do Tesouro Selic: IR regressivo, IOF e taxa de custódia

Três custos afetam o retorno líquido do Tesouro Selic. Entendê-los é fundamental para não superestimar o rendimento final.

1. Imposto de Renda regressivo. O IR incide sobre o rendimento (não sobre o capital) e segue uma tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota.

Prazo de aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,0%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%

O IR é retido automaticamente pelo agente custodiante no momento do resgate — o investidor já recebe o valor líquido na conta. Para quem mantém a aplicação por mais de dois anos, a alíquota mínima de 15% é a que se aplica.

2. IOF nos primeiros 30 dias. Se o resgate ocorrer em até 30 dias após a aplicação, incide IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre o rendimento. A alíquota é regressiva: começa em 96% no primeiro dia e chega a 0% a partir do 30º dia. Na prática, resgates nos primeiros dias de aplicação podem ter rendimento quase zerado pelo IOF. Por isso, o Tesouro Selic é indicado para recursos que podem ficar pelo menos 30 dias aplicados — mesmo sendo tecnicamente resgatável antes.

3. Taxa de custódia da B3. A B3 (bolsa de valores brasileira, que administra o Tesouro Direto) cobra uma taxa anual de custódia de 0,20% ao ano sobre o saldo dos títulos. Em 2023, a B3 isentou dessa taxa os saldos de Tesouro Selic de até R$ 10.000 por CPF — verifique as condições vigentes no site oficial do Tesouro Direto, pois as regras podem ter sido atualizadas. Acima do limite de isenção, os 0,20% ao ano são debitados semestralmente em janeiro e julho. Sobre um saldo de R$ 50.000, isso representa R$ 100 ao ano — valor relevante para quem compara retornos líquidos com concorrentes diretos como CDB sem taxa de custódia.

Exemplo prático de cálculo de rentabilidade líquida

Considere, como exemplo ilustrativo, uma aplicação de R$ 10.000 no Tesouro Selic mantida por exatamente 12 meses, com Selic hipotética de 10,5% ao ano e sem taxa de custódia (saldo abaixo do limite de isenção).

ItemValor
Capital inicialR$ 10.000,00
Rendimento bruto em 12 meses (~10,5% a.a.)R$ 1.050,00
IR sobre rendimento (20% — prazo entre 181 e 360 dias)R$ 210,00
Rendimento líquidoR$ 840,00
Saldo final líquidoR$ 10.840,00
Rentabilidade líquida efetiva8,40% a.a.

Valores puramente ilustrativos com taxa hipotética. Use a calculadora acima com os dados reais atuais. Note que 12 meses se enquadra na faixa de 20% de IR (181 a 360 dias); para quase 12 meses completos (361 dias), a alíquota cai para 17,5%.

Tesouro Selic versus poupança: a comparação que todo investidor precisa fazer

A poupança tem regras de remuneração definidas em lei: quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a variação da TR (Taxa Referencial) — o que equivale aproximadamente a 6,17% ao ano mais TR, ou seja, bem abaixo da Selic. Quando a Selic está em 10,5% ao ano, a diferença de rendimento bruto entre Tesouro Selic e poupança é de mais de 4 pontos percentuais anuais. Mesmo após o desconto do IR e da taxa de custódia, o Tesouro Selic supera a poupança com folga em ambientes de Selic elevada.

A única vantagem real da poupança é a isenção total de IR e a liquidez imediata — mas o Tesouro Selic compensa amplamente em rendimento. A diferença de rendimento líquido entre os dois pode ultrapassar 2 pontos percentuais ao ano em cenários de Selic alta. Sobre R$ 50.000, isso significa R$ 1.000 a mais por ano no Tesouro Selic — um ganho relevante que se acumula exponencialmente ao longo dos anos. Veja a comparação detalhada na página Poupança x CDB: Qual Rende Mais?.

Tesouro Selic versus CDB

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é o principal concorrente do Tesouro Selic. Ambos são renda fixa pós-fixada atrelada ao CDI (que praticamente espelha a Selic), ambos têm IR regressivo com a mesma tabela. A diferença está em três pontos: CDBs de bancos menores oferecem taxas acima de 100% do CDI (às vezes 110%, 115% ou mais) para atrair captação — o que os torna mais rentáveis no papel; CDBs têm cobertura do FGC até R$ 250.000, enquanto o Tesouro Selic tem garantia do próprio governo federal (considerada superior); e o Tesouro Selic não tem taxa de custódia nos limites de isenção, enquanto o CDB costuma ser isento de taxas adicionais.

Para reserva de emergência: o Tesouro Selic com isenção de custódia e garantia soberana é uma escolha excelente. Para valores acima do limite de isenção: compare o rendimento líquido do Tesouro Selic (já descontada a custódia de 0,20% ao ano) com CDBs de alta qualidade pagando acima de 100% do CDI. Para simulações precisas incluindo o efeito do IR: use o Simulador de CDB com Imposto de Renda e compare cenário a cenário.

Para que serve o Tesouro Selic — e para que não serve

O Tesouro Selic é ideal para: reserva de emergência (liquidez e segurança), estacionamento de recursos aguardando oportunidades (caixa estratégico), objetivos de prazo indefinido ou curto e como âncora conservadora de uma carteira diversificada. Não é ideal para: objetivos de muito longo prazo (mais de 10 anos) em que a busca por retorno real maior justifica maior risco; proteção contra inflação futura incerta (para isso, o Tesouro IPCA+ é mais adequado); e geração de renda passiva isenta (os rendimentos são tributados, ao contrário de dividendos de ações e distribuições de FIIs).

Como usar a calculadora acima

  1. Insira o valor que pretende aplicar no Tesouro Selic.
  2. Informe a taxa Selic atual — consulte o site do Banco Central para o valor vigente.
  3. Defina o prazo de aplicação em meses.
  4. A calculadora aplicará automaticamente a alíquota de IR correspondente ao prazo informado e descontará a taxa de custódia proporcional.
  5. O resultado mostra o saldo bruto, os impostos devidos e o saldo líquido final — use para comparar com outras aplicações disponíveis.

Perguntas frequentes

O Tesouro Selic pode perder valor?

Na prática, é extremamente raro. A oscilação de preço do Tesouro Selic é mínima por ser pós-fixado — não há descasamento entre o rendimento do título e o rendimento de mercado. Em situações de extrema turbulência (como ocorreu brevemente em 2002 e em 2020), houve pequenas oscilações negativas de curtíssima duração. Para investidores que levam até o vencimento ou mantêm por prazo razoável, o risco de perda é essencialmente inexistente.

O dinheiro no Tesouro Selic fica preso?

Não. O Tesouro Direto permite resgate em qualquer dia útil, com liquidação em D+1 (o dinheiro cai na conta no dia útil seguinte ao pedido). Lembre-se, porém, que resgates nos primeiros 30 dias sofrem IOF sobre o rendimento, o que pode reduzir significativamente o retorno nesse período.

Preciso declarar o Tesouro Selic no Imposto de Renda?

Sim. Os títulos do Tesouro Direto devem ser declarados na ficha de "Bens e Direitos" (código específico para títulos públicos), pelo valor de custo de aquisição ou pelo valor de mercado em 31 de dezembro. Os rendimentos recebidos via resgate devem constar em "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva", pois o IR já foi retido na fonte. Sua corretora emite o informe de rendimentos anual com todos os dados necessários para a declaração.

Qual a diferença entre Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado?

São três famílias de títulos com lógicas distintas. O Tesouro Selic rende a variação da Selic (pós-fixado, mínima oscilação de preço). O Tesouro IPCA+ rende a variação do IPCA mais uma taxa real fixa definida na compra — protege contra inflação mas oscila de preço conforme as taxas de mercado. O Tesouro Prefixado tem taxa fixa definida no momento da compra — beneficia quem investe quando os juros estão altos e a expectativa é de queda futura, mas implica risco de marcação a mercado se os juros subirem após a compra. Para entender o impacto dos juros sobre seus investimentos de forma mais ampla, use a Calculadora de Juros e o Calculador de Rendimento da Poupança para comparar cenários lado a lado.

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